Persefonando...
Como te tocar com os dedos - não estes de osso e membrana, mas com os dedos do desejo, dedos do que pulsa o peito? Tocar o instante roubado pela hesitação. Instante da pele sonhando a pele, outra. Roubar o peito da hesitação. Boca cravada no deslize. Desequilíbrio dos suores que se desenrolam pelo chão.
- Lurya

Como te tocar com os dedos - não estes de osso e membrana, mas com os dedos do desejo, dedos do que pulsa o peito? Tocar o instante roubado pela hesitação. Instante da pele sonhando a pele, outra. Roubar o peito da hesitação. Boca cravada no deslize. Desequilíbrio dos suores que se desenrolam pelo chão.

- Lurya

Sou pele, cheiro. 

Sou suor escorrendo por entre as coxas,

sou corpo,

língua

que te lambe e te prova

que te rabisca com saliva.

Sou boca

que te beija

morde

e se deleita com seu sabor.

Sou mão

que te acaricia,

te sente

e te envolve.

Sou gozo

que por entre as pernas

escorre

vazando 

prazer.

-Perséfone

Marcas soltas, desatinadas.
teu corpo, em nuancesexibem marcasdesenlaceshistóricos, fatais.

tatuagens,cicatrizeso mundo se escreveu em tihistória vivatrânsito pulsante.
o tiro, o tapao vidro que se quebroute dizem quem ésna intrínseca sobriedade.
internalizações se inseremsofrimentos e lágrimas que te explicamtanto dos olhos secos, quanto de quem já não chora mais.
dor constrói muralhasteu batalhão de sentidosruma ao mais íntimo de tie forma barreiras e muniçõescontra o destino.

Poema por MEL

Marcas soltas, desatinadas.

teu corpo, em nuances
exibem marcas
desenlaces
históricos, fatais.

tatuagens,cicatrizes
o mundo se escreveu em ti
história viva
trânsito pulsante.

o tiro, o tapa
o vidro que se quebrou
te dizem quem és
na intrínseca sobriedade.

internalizações se inserem
sofrimentos e lágrimas que te explicam
tanto dos olhos secos, 
quanto de quem já não chora mais.

dor constrói muralhas
teu batalhão de sentidos
ruma ao mais íntimo de ti
e forma barreiras e munições
contra o destino.

Poema por MEL

E quando olhei no espelho
Eu vi meu rosto e já não reconheci
E então vi minha história
Tão clara em cada marca que tava ali.

PITTY. Temporal. In: Admirável chip novo, 2003.
From yesterday 
Você estava solta
Leve
Dançando daquele jeito que só você
dança
E me olhava
com seus olhos de amêndoas 
que gritam
berram
me invadem e 
me viram pelo avesso.
Agora desejo neste hoje
que volte a ser ontem
só pra te ver dançar
e me olhar
me invadir
me virar 
e revirar…
de novo.

From yesterday 

Você estava solta

Leve

Dançando daquele jeito que só você

dança

E me olhava

com seus olhos de amêndoas 

que gritam

berram

me invadem e 

me viram pelo avesso.

Agora desejo neste hoje

que volte a ser ontem

só pra te ver dançar

e me olhar

me invadir

me virar 

e revirar…

de novo.

Fluida, densa, 
Criada a partir de expectativas desgastantes e sufocantes
Ouvindo desde o antes do nascimento como deveria ser, 
agir, rir, sorrir, se portar, se sentar
não chorar, chorar, amar, perdoar
não gozar
não falar
sem reclamar, se doar,
se abrir, parir, 
amar
amar
amar
cuidar, respeitar, abençoar.
quieta
muda
calada
magoada
ferida
Se levanta, acorda. 
escuta, olha, corre,
fala, berra,
grita
chora,
ama,
goza,
GOZA
goza
goze
ame
AME
fale
grite
berre
trepe
trepe
trepe
seja
SEJA
singular, plural, 
mulher
o que quiser
viva
viva
VIVA
sinta
lute
lute
LUTE.

Fluida, densa, 

Criada a partir de expectativas desgastantes e sufocantes

Ouvindo desde o antes do nascimento como deveria ser

agir, rir, sorrir, se portar, se sentar

não chorar, chorar, amar, perdoar

não gozar

não falar

sem reclamar, se doar,

se abrir, parir, 

amar

amar

amar

cuidar, respeitar, abençoar.

quieta

muda

calada

magoada

ferida

Se levanta, acorda. 

escuta, olha, corre,

fala, berra,

grita

chora,

ama,

goza,

GOZA

goza

goze

ame

AME

fale

grite

berre

trepe

trepe

trepe

seja

SEJA

singular, plural, 

mulher

o que quiser

viva

viva

VIVA

sinta

lute

lute

LUTE.